É assim que Ronaldo Fraga expressou seu sentimento sobre o continente americano mais especificadamente os países latinos, no seu desfile de Verão 2010 que aconteceu no quinto dia do SPFW.  Ronaldo diz o seguinte em uma entrevista:

Um desejo meu antigo, de olhar mais para o continente, de investigar mais esse continente que a gente nega tanto. Nós não nos vemos como latinos, como se eles fossem bregas e cafonas, mais somos todos cafonas, adoramos cor, adoramos misturar tudo.

E, realmente, na América Latina seria impossível uma cultura sem diversidades entre paises como Brasil, Chile, Argentina e Colômbia, por exemplo. Pois a cultura da América Latina origina-se das diferentes culturas existentes no interior de cada país ou regiões. Além das etnias e formas sociais que se formam através de uma evolução histórica imigrante.

O jeito como Ronaldo articulou as peças, tornou o desfile maravilhoso. Muito diferente da Disneylândia conhecida e sonhada por todos, o estilista cria uma Disney pop cheio de cores e volumes, além de usar tecidos em sua maioria sintéticos com cortes a laser que lembram o artesanato mexicano. Como trilha sonora, usou a música Disneylândia de Arnaldo Antunes cantada por Jorge Drexler (ouça aqui) que, por sua vez a letra conta o quão pode ser diversificada a cultura de uma pessoa, exatamente como a América Latina. No quesito cenografia, Ronaldo diz que sua intenção foi mostrar uma vila após uma catástrofe natural, mas que ainda mantém as bandeiras da festa, ou seja,

“uma cultura que ofegante mente resiste por séculos.

Ronaldo Fraga.

A seguir confira as fotos do desfile, ou se preferir assita-o.

CarmenCarmem Miranda foi uma cantora e atriz nascida em Portugal em 1909.  Sua carreira transcorreu entre 1930 e 1955 no Brasil e nos Estados Unidos. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Seu estilo a tornou precursora do tropicalismo.

Seu primeiro sucesso “Para você gostar de mim” tornou a conhecida, mas o que causou grande impacto em sua carreira foi quando em Boston, Estados Unidos, estreou no espetáculo musical “Streets of Paris”. Dentre outros singles famosos então “Tico tico no fubá“, “O que é que a baiana tem” e “Mamãe eu quero
A partir dai Carmem não parou mais. Conquistou a todo o mundo, inclusive o Brasil que, em 1940 acolheu a artista de braços abertos, mesmo sendo criticada por alguns de “americanizada”.

Mas infelizmente, desde o inicio de sua carreira, Carmem fazia uso de Barbitúricos para dar conta da vida conturbada devido a agenda lotada de apresentações e shows. Além de que era usuária de tabaco e álcool.
Ao perceber a dependência químicia de Carmen ao mal uso de medicamentos – hoje podemos considerá-los drogas – seu médico do Brasil tentou durante 4 meses desintoxicá-la e após aparentemente melhor, Carmen retornou a sua vida de celebridade.
Mas após um encontro com os amigos em seu apartamento e consequentemente o consumo de álcool e tabaco, Carmen Miranda teve um colapso cardíaco fulminante e morreu. Ela tinha 46 anos.

Carmem Miranda é fortemente lembrada em nossas memórias principalmente pelos seus trages fora do comum.

“Nunca segui o que dizem que está na moda. Acho que a mulher deve usar o que lhe cai bem. Por isso criei um estilo apropriado ao meu tipo e ao meu gênero artístico. Disseramm na Quinta Avenida, que revolucionei a moda, inclusive desbancando costureiros franceses como Dior e Channel. Mas foi uma coisa inconsciente, sem a menor pretenção (e quem era eu pra competir com eles?!). Quando sento a máquina de costura e crio um vestido, um turbante ou um sapato, estou egoísticamente, pensando só em mim, e não em outras mulheres. Se elas, depois, resolvem copiar, tudo bem. Nada tenho contra – até gosto.”

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Hoje Carmem Miranda está presente em todas as festas a fantasia.

Veja abaixo alguns estilistas que usufruiram da imagem de Carmem em seus desfiles.

Salinas – Primavera/Verão 2006

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Marc Jacobs – Primavera 2009 misturou Suzie Wong, Carmen Miranda e Mary Poppins.

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Site Oficial da Carmen Miranda

Frida Kahlo nasceu no México em 1907. Aos seis anos contraiu Poliomelite e ainda após um acidente ficou um imendo tempo presa em uma cama. Durante este período Frida pintava quadros que, em sua maioria eram auto-retratos que representavam suas dores, angustias, tristezas e seu amor pelo marido Diego Rivera.

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“Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”

Até hoje há gente que diga que Frida foi uma artista Surrealista, mas ela discorda. Mesmo que suas obras tivessem muito o que comparar-se com o surrealismo devido a idéia de sonhos que transmitia ao receptor, essa não era a idéia que ela tinha em mente.

Acredito que Frida era uma mulher triste e sofrida, no seu diário ela cita:

“Espero alegremente a saída – e espero nunca mais voltar.”

Frida morreu em 1954 de embolia pulmonar após contrair pneumonia.

Em 2002 foi feito um filme que conta a vida de Frida, interpretada por Salma Hayek. Assista ao trailer do filme.

Vários estilistas já buscaram inspiração na vida de Frida, de uma olhada e tente visualizar quem se deu melhor usando Frida como tema.

Victor Dzenk – Inverno 2007 (Fashion Rio)

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Isabela Capeto – Verão 2009 (SPFW)

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Vocês acham que essas duas marcas representaram suficientemente bem Frida Kahlo?

“Não se esqueça que o elemento polêmico, sempre escreveu um papel importante no Dadá.

Há muitas dúvidas sobre o que foi o movimento Dadá. Como ele foi criado, onde foi criado e por quem, o que influenciou o movimento e como ele repercurtiu mundo a fora. O mais correto é afirmar que o Dadá surgiu entre 1918-20 e foi um movimento de estilo polêmico, que como ideal central tinha, dissolver as formas vigentes no momento a fim de inovar a maneira de sentir, e enxergar, sendo assim, uma nova liberdade de expressão. Hugo Ball – um dos primeiros Dadaístas a aparecer – diz o seguinte:

“o que chamamos de Dadá é uma doidice nascida do nada, na qual estão envolvidas todas as questões transcendentais, um gesto de gladiador, um jogo com os restos míseros… uma execução da falsa moralidade.”

O Dadá não possuia características e formas uniformes. Esse modo de expressão e critica dependia das procedências artísticas de cada dadaísta. Mas, todos com um único intencional, o de complicar. Ora manifestavam-se de maneira positiva, ora negativa, às vezes moral, outras imoral. Era um movimento totalmente antiprogramático, não havia limites estéticos e sociais, não possuía elos com a tradição. Tzara cita:

    “Destruo as caixas cranianas e as da organização social. Desmoralizar em toda a parte, em jogar o homem do céu no inverno, voltar os olhos do inferno para o céu, reerguer a terrível roda do circo universal nos reais poderes e na imaginação de cada individuo.”

Em meio a espetáculos Dadá, a poesia sonorista surge com força. Eram sons alinhados em sequência que pretendiam invocar uma esfera mais primitiva, com menos frases convencionais. Hugo Ball em 1917 foi o segundo poeta sonorista a aparecer com “O Gadji Beri Bimba”.

É fato de que estes sons divulgados da teoria antiarte ecoavam pelos ouvidos alheios e a rejeição à arte cheia de regras aumentava cada vez mais, o que se tornava um estimulo intenso e continuo para os artistas do Dadá. Sendo assim, o movimento percorreu o mundo. Estados Unidos, Alemanha e França foram os paises mais conquistados pelo Dadá, além de Iugoslava, Rússia. Dentre os principais artistas estavam Breton, Aragon, Eluard, Soupault, Ribemont-Dessaigness.

Infelizmente, após as muitas reuniões durante 4 anos na casa de Picabia a fim de novas idéias Dadá, os truques fe barulhos foram se tornando os mesmos e os próprios dadaístas começaram a envergonhar-se. As intrigas iniciaram-se e, inúmeras formas de salvar o movimento apareceram, mas nenhuma foi suficientemente forte.

Isso ocorreu devido a perda de força no interior do movimento e a ambição pessoal tomou conta da mente de todos. Em 1924 Foi feito um ultimo manifesto Dadá por Picabia e Duchamp, o “instanteísmo” que acentuou pela ultima vez o sentido central Dadá. Foi o fim do Dadá, tudo o que eles lutaram tanto a favor: confusão, provocação e antiarte voltaram-se contra eles.  A dissolução do movimento estava concluída. [...]

A Coleção Primavera/Verão 2009, da Cavalera, teve como uma de suas inspirações, o Dadá. Usaram de garotas flutuantes no palco, muito além do convencional.  Os Looks tinham como cor princial o verde – até pareciam Ets -  e eram acompanhados de mascaras  de humor.

Assista o desfile e confira.

Em dezembro de 2008 a British Vogue fez um editorial visionário. Designers de moda como, Galliano, Gareth Pugh, Alexander McQueen, Hussein Chalayan, Rei Kawakubo, Viktor & Rolf, Thierry Mugler, Issey Miyake.

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Tem gente que diz que são designers vanguardistas. (http://fashionistasgracasadeus.blogspot.com/2008/12/por-uma-moda-menos-ordinria.html, http://dialogofashion.wordpress.com/2008/11/12/a-historia-recente-da-moda/).

Mais seria mesmo? Hoje a palavra vanguardista – aparece em meio a textos como algo novo, diferente do convencional, como dizemos também, algo “Hype”, “Up to date”. Surge também quando lembramos de movimentos do século passado, ou seja, algo clássico, terminado e acabado, ou que ainda hoje, segue o padrão antigo. (http://fashionistasgracasadeus.blogspot.com/2008/10/africa-vanguardista.html).  Seria correto afirmar este conceito?

No dicionário encontramos desta forma: Vanguarda:  1. Numa operação militar, extremidade dianteira de unidade.

Etimologicamente falando, vanguarda vem de avant-garde (frances), ou seja, a frente da guarda.

A palavra vanguardista foi usada pelos militares e políticos muito antes do inicio do século XX, que foi quando a arte aderiu ao termo. No militarismo eram chamados de vanguardistas aqueles que estavam a frente da batalha, um pelotão avançado, ou seja, um movimento de guarda estratégico, os que avançam em conflito afim de ganhar uma causa. A vanguarda é o primeiro a adentrar o território inimigo. Logo em pouco tempo, a política esquerdista também aderiu ao termo.

Mais foi na arte que o termo ficou conhecido mundialmente. Movimentos artísticos afim de destruir e reconstruir a tão correta arte surgem em diversas áreas do mundo. Futurismo italiano, expressionismo alemão, construtivismo russo, dentre outros.  A arte foi combatida, agora ela é tudo.

Ou seja, vanguarda não é apenas estar de um dos lados, e sim combater o ideal de algum destes. É preciso de uma causa. É preciso criticar para alcançar. É preciso possuir estratégia e conhecer o adversário. Isto é vanguarda.

Voltando ao inicio, se todos os estilistas citados brigam por uma causa ao criarem estilos e fabricarem formas, e não apenas buscam glamour e riqueza, estes são sim, designers vanguardistas.

Referências Bibliográficas:

FERREIRA, Buarque de Holanda – Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. ISBN: 85-209-0466-1

MASSUD, Moisés – Dicionário dos Termos Literários. 1 ed. São Paulo: Cultrix, 1974. ISBN: 8531601304

A palavra moda vem do latin modus e significa “modo”, “maneira”.

Moda: 1. Uso, hábito ou estilo geralmente aceito, variável no tempo, e resultante de determinado gosto, meio social, região, etc. 2. Uso passageiro que regula a forma de vestir, etc. 3. Maneira, moda.

Modo: 1. Maneira, feição ou forma particular; jeito. 2. Sistema, método. 3. Estado, situação. 4. Meio, maneira. 5. Gram. Forma que o verbo assume para exprimir uma maneira do estado, ação, qualidade, etc., por eles indicados.

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A moda se constrói em meio a uma sociedade em constante mutação. Mas quais são os modos de absorção que ela utiliza para si própria, afim de  apresentar aos nossos olhares uma nova percepção contemporânea?

Para entender melhor como a moda é plenamente mutável e recria novos valores, incluindo políticos, sociais e econômicos, aplicarei aqui, conceitos de outros autores e ainda idéias de próprio punho.

A moda é a inicio, tendências variáveis de uma sociedade ou grupo. É o evento mais determinado e constante quando o assunto é contemporaneidade – atualidade.

Ao contrario do que muitos pensam a moda é muito mais que tendência de consumo, expressa os valores – usos, hábitos e costumes – de uma determinada sociedade, pois é nela que tudo é permeado, ou seja, está entrelaçada com tudo que acontece a nossa volta.

Ou seja, a moda é que é atual, dura o tempo de consumo e  logo é substituída por uma nova imagem de moda, mais contemporânea.

“Fashion is not something that exists in dress only. Fashion is in the sky, in the street; fashion has to do with ideas, the way we live, waht happening” – Coco Chanel.


Referências bibliográficas:

OLIVEIRA, Ana Claudia de [et al] – Corpo e Moda por uma compreenção do contemporâneo. São Paulo: Estação das Letras e Cores Editora, 2008. ISBN: 978-85-60166-07-7

FERREIRA, Buarque de Holanda – Minidicionário Aurélio da Lingua Portuguesa. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. ISBN: 85-209-0466-1